AMOR AOS RÉS-DO-CHÃO: aquele que não conhece a grandiloquência épica, nem a placidez árcade, nem a idealização romântica, nem a nobreza simbolista; aquele que é apenas comezinho, ordinário e alumbrado, todo ávido e luxuriante; aquele que é como cheiro de café na sala: inebriante sempre, surpresa estúpida, telepático, constância dia após dia; aquele que se sobrepõe aos fatos, às circunstâncias; aquele que cresce como hera, ocupando todas as paredes, que tem visco e parece girassol: rodopia em volta dos dias, das horas, abraça os meses, saúda o sol e teme a noite.
(Analice Martins – Campos, 26/01/2026)